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RICARDO AMARAL comenta sobre vantagens e desafios do turismo marítimo
23/12/2009 às 9:45



RICARDO AMARAL comenta sobre vantagens e desafios do turismo marítimo

Por Marisa Torelli

“A Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 são dois eventos nos quais o Brasil pode não só se posicionar como grande nação esportiva, assunto que entrego aos especialistas, como se depara com a grande oportunidade de alavancar o turismo, atividade reconhecida em todo o mundo como geradora de riqueza e prioritária na criação de empregos. Potencial não lhe falta, cartões postais muito menos, mas para chegar à plataforma de promoção internacional, enfrenta muitos e sérios desafios, alguns já com diagnóstico, mas cujo tratamento é debatido à exaustão, porém sem resultado conclusivo. Suplantar tais dificuldades é vital para o Brasil honrar compromissos internacionais e para que apague de sua história a expressão de que é o país do futuro.

Os dois eventos, sem dúvida, divulgam o Brasil como destino turístico. Como tal, o país já entrou no circuito internacional dos Cruzeiros Marítimos, segmento que mais cresce no mercado do turismo mundial – até agora, 33% ao ano. A temporada em curso, que começou em outubro e irá até maio de 2010, deverá superar em 66% o número de turistas do ano passado. Os números impressionam, mas sem ilusões, pois há o risco de estagnação devido às questões que inibem o avanço da atividade que poderá ser muito útil ao país na Copa do Mundo e na Olimpíada, como o foi na Itália e na Grécia e na Austrália. Na Copa de 1990, a Itália se valeu dos navios como meio adicional de hospedagem, em 2004, na Olimpíada de Atenas, oito Cruzeiros atracaram no porto de Pireus, com milhares de turistas, e o mesmo ocorreu nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.

O Brasil chama a atenção dos estrangeiros e é o único país da América do Sul que integra os 40 destinos mais procurados no ranking da Organização Mundial do Turismo, condição essencial para estimular os investimentos. As empresas marítimas estão motivadas a trazer torcedores estrangeiros para acompanhar suas seleções na Copa de 2014, com escalas em diferentes portos nacionais e evidente lucro para as cidades. Esbarram, porém, em entraves, a começar pela pouca infraestrutura portuária. Ilhéus, por exemplo, que é porto estratégico no Nordeste, tem só um berço de atracação e Santos, o maior do país, tem apenas dois em frente ao terminal de passageiros. É muito pouco, pois quando chegam mais navios, é preciso distribuí-los pelo cais do porto e fazer o turista se deslocar de ônibus.

Os portos brasileiros não têm instalações apropriadas para receber turistas e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento contemplam tão somente o setor de cargas.  É inegável a importância deste para a economia, mas também não pode ser desprezada uma atividade que, no ano passado, gerou quase 40 mil empregos, número que deverá ser mais alto nesta temporada, que começou em outubro e vai até maio do ano que vem, a maior já realizada no país. Às más condições juntam-se as taxas portuárias e de terminais, discutidas particularmente com concessionárias, sem a supervisão de autoridades, quase que um monopólio. O resultado é que os custos operacionais, como os de praticagem, estão entre os mais altos do mundo.

Outro aspecto que compromete o potencial turístico do país é a falta de uma legislação transparente e que impeça interpretação dúbia. Por causa da insegurança jurídica e do aumento dos custos, as companhias restringiram o número de escalas no país: em 2005, foram 218 e no ano passado, 116. Isso porque os Cruzeiros internacionais, com escala em mais de um porto nacional, são considerados como navegação de trânsito doméstico ou de cabotagem, portanto, obrigados a cumprir exigências burocráticas e tributárias que quase inviabilizam sua operação no Brasil. E, quando escalam em dois ou mais portos, precisam solicitar visto de trabalho para os seus tripulantes, o que eleva ainda mais os custos.

As empresas armadoras estão dispostas a investir no Brasil, como já o fizeram no Caribe e nos Estados Unidos, quando despejaram US$ 1 bilhão na reforma de terminais de passageiros. Necessitam, porém, de projetos consistentes, regras claras e menos burocracia. Em 2014, no maior evento esportivo do mundo, os navios poderão trazer milhares de turistas, sim, e servirem como alternativa de hospedagem, mas desde que os portos estejam em boas condições. A hora é de enxergar a realidade futura e não a atual. É preciso entender o que acontecerá com o país como destino de Cruzeiros Marítimos nos próximos cinco anos, justamente quando acontece a Copa. Este é o prazo que o Brasil tem para aproveitar definitivamente o seu grande potencial turístico.

Ao ser escolhido para sediar a Copa e a Olimpíada, o país ganhou a primeira etapa de uma verdadeira batalha. A vitória final dependerá do nosso ritmo de trabalho e da percepção de que turismo é algo complexo, que exige planejamento, tem forte impregnação emocional e é o principal item de exportação de bens e serviços no mundo. Os turistas virão pelo esporte, em primeiro lugar, mas também atraídos por novos caminhos, pois o Caribe e o Mediterrâneo estão saturados. Uma das principais vantagens brasileiras é a sua costa de mais de 7.300 quilômetros, banhada por águas quentes, com diversidade de paisagens e culturas. O Brasil não é um só, mas vários destinos. Só precisa vencer os desafios antes do  futuro chegar”.

Ricardo Amaral é presidente da Abremar

 


Sobre a Abremar

Em janeiro de 2006, foi criada a ABREMAR (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas), graças à expansão da atividade no país, hoje conta com 19 associadas e atua para tornar o Brasil um importante destino dentro do mercado mundial de cruzeiros.

A ABREMAR se expande na esteira dos expressivos números que o setor registra. Segundo o Conselho Europeu de Cruzeiros, cada milhão de euros gastos pela indústria dos Cruzeiros naquele continente cria outros 2,2 milhões em rendimentos. A previsão é que o número de turistas europeus em alto mar chegue a  4 milhões até 2010.

Na América do Norte, a CLIA, a Associação de Cruzeiros dos Estados Unidos, aponta que o crescimento se manteve em 8% por ano, no período de 1980 a 2005. O mercado norte americano soma, hoje 10 milhões de usuários de Cruzeiros Marítimos.

O Brasil é o único país da América do Sul que integra os 40 destinos mais procurados no ranking da Organização Mundial do Turismo. A ABREMAR continua trabalha para incentivar o crescimento dos Cruzeiros Marítimos no país. Destinos como o Caribe e a costa do Mediterrâneo, já estão saturados. O Brasil apresenta novos roteiros, que bem explorados poderão render ótimos frutos, assim como podemos constatar e vem acontecendo.

Os esforços da ABREMAR são direcionados também à capacitação dos agentes de viagens, parceiros que desempenham papel importante na divulgação da atividade. O conhecimento do produto é vital para orientar o consumidor. Na escolha de um Cruzeiro Marítimo, a orientação de consultor especializado, como se sabe, é vetor de sucesso.


Preservação ambiental

Atualmente muito se faz para minorar o aquecimento global, os navios precisam cumprir algumas convenções internacionais para reduzir ao máximo o impacto ambiental. As convenções SOLAS (www.imo.org/Conventions/contents.asp?topic_id=257&doc_id=647) e MARPOL

(http://www.imo.org/Conventions/contents.asp?doc_id=678&topic_id=258) são algumas delas. Por isso, as embarcações possuem equipamentos para tratamento de lixo e transformação da água salgada do mar em água potável. Cada companhia adota programas ambientais próprios. Um dos mais antigos é o Save the Waves, implementado na década de 60.


Atual diretoria:
Presidente: Ricardo Amaral
Vice-Presidentes: Adrian Ursilli e Renê Hermann
Diretor Internacional: Ilya Hirsch





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